sábado, 17 de outubro de 2015

Alopecia Cicatrizante - vamos conhecer

A alopecia areata é uma doença que acontece assintomaticamente, caracterizando-se pela repentina perda dos cabelos, cujas áreas afetadas, distantes uma da outra, que ficam lisas, sem que haja qualquer alteração e/ou inflamação na pele do couro cabeludo. A autoimunidade deste tipo de alopecia está relacionada ao mecanismo em que o sistema imunológico ataca os próprios folículos capilares, podendo surpreender qualquer pessoa, independentemente de sexo, ascendência ou idade. Simplesmente, perdem-se tufos de fios que dão lugar a áreas do couro cabeludo completamente lisas, no formato oval ou redondo.
Em pacientes diagnosticados com a alopecia areata, os corticoides atuam diminuindo a atividade do sistema imunológico e, ao mesmo tempo, estimulando o crescimento de novos fios.
Os corticoides podem ser administrados por via oral, infiltrações locais ou, ainda, por uso de pomadas. Embora a sua eficácia diminua de modo decrescente nas formas descritas, os riscos dos efeitos colaterais são maiores conforme se aumenta a potência, sendo maior por via oral.
O tratamento pode levar vários meses até alcançar totalmente os seus objetivos, sendo de se esperar que as primeiras mechas de cabelo nasçam ainda muito frágeis e com a sua coloração alterada, até mesmo branca. porém, com o tempo e a orientação adequada, os fios tendem a recuperar a sua força e a aparência habitual.
Vale ressaltar que o organismo de cada paciente pode ter uma resposta diferente ao uso dos corticoides.

Os corticoides são um grupo de medicamentos empregado com bastante frequência por diversas áreas da medicina. A sua ação reproduz o efeito do cortisol, um hormônio produzido no nosso corpo pelas glândulas suprarrenais e que promove uma maior disponibilidade de energia para o nosso organismo quando este e acometido por situações que costumam gerar bastante estresse. Entre outras, o cortisol desempenha funções metabólicas, cardíacas, cicatrizantes e imunológicas.

No tratamento de alguns tipos de calvície, particularmente, o uso de corticoides tem resultados bastante positivos, tendo em vista a sua ação anti-inflamatória e a sua atuação em processos imunitários, entre os quais se encontra, por exemplo, a alopecia areata.
Assim, para quem está sofrendo com a perda acentuada dos cabelos e deseja saber mais sobre este assunto e/ou outras maneiras de combatê-la, a melhor e mais coerente orientação continua sendo o agendamento de uma consulta com o especialista da área o mais rápido possível.

As seguintes medidas terapêuticas são utilizadas na alopecia areata em ordem crescente de complexidade:

1. Corticosteróides tópicos e infiltrações intralesionais São amplamente empregados.  Considerando-se o substrato inflamatório da alopecia areata, existe fundamento farmacológico para seu emprego, sendo mais utilizados corticosteróides potentes particularmente o dipropionato de betametasona e o clobetasol, mas também a halcinonida e a fluocinolona. Os corticosteróides tópicos podem ser empregados associadamente ao minoxidil tópico.
A infiltração intralesional de suspensões de corticosteróides é o tratamento mais efetivo para as formas em que tal procedimento é exeqüível, adultos com menos de 50% de acometimento do couro cabeludo. A preparação mais empregada é o acetonido de triamcinolona na concentração de 3 a 4 mg/ml em aplicações a cada três ou quatro semanas.

2. Antralina É empregada em concentrações de 0,5% a 1% por 20 a 30 minutos após o que o couro cabeludo deve ser lavado com xampus para evitarem-se efeitos irritantes excessivos. As aplicações inicialmente devem ser feitas a cada dois dias e depois diariamente. São efeitos colaterais: escurecimento de cabelos claros, dermatites irritativas que podem secundariamente infectar-se, prurido, foliculites e adenomegalias regionais.
Admite-se a possibilidade de a antralina atuar como imunomodulador inibindo a atividade citotóxica e a produção de IL-2, normalizando a função dos linfócitos T supressores.

3. Minoxidil É empregado em soluções a 5% em duas aplicações diárias. É utilizado isoladamente ou em associação com antralina ou corticosteróides tópicos, ou ácido retinóico. Seu mecanismo de ação estimula a síntese folicular de DNA, e tem ação direta, na proliferação e diferenciação dos queratinócitos, e regula a fisiologia do pêlo independentemente de influências no fluxo sangüíneo regional. Mostra-se pouco efetivo nas formas graves. Quando o minoxidil atua, os primeiros resultados são observados a partir da décima segunda semana de uso.

4.Dibutilester do ácido esquárico Inicialmente Sensibiliza-se o doente com solução a 2% e, três semanas após, inicia-se o tratamento das áreas afetadas com soluções a 0,00001%, aumentando-se progressivamente a concentração até 1%, procurando-se produzir uma dermatite de contato em níveis suportáveis. Vários trabalhos registram bons resultados em percentuais que variam de 29% a 87% dos casos tratados.

5. Difenciprona De modo semelhante, sensibiliza-se o doente com soluções a 2% e posteriormente inicia-se o tratamento das áreas afetadas com soluções a 0,001%, aumentando-se progressivamente a concentração utilizada até obter-se uma reação eczematosa leve. Os trabalhos publicados registram ampla gama de respostas positivas desde 4% até 85%.As respostas geralmente manifestam-se após 12 semanas de tratamento.

6. Puva O mecanismo de ação considerado é a interferência na apresentação dos antígenos foliculares aos linfócitos T pela depleção das células de Langerhans. A puvaterapia pode ser local ou sistêmica; as recidivas são freqüentes, por vezes exigindo tratamentos repetidos por longo prazo havendo implicações quanto aos riscos carcinogênicos.

7. Corticosteróides sistêmicos Hoje, são pouco empregados, em função das freqüentes recidivas após sua retirada. Podem ser úteis por curto prazo em formas rapidamente progressivas, na tentativa de frenar essa progressão e utilizarem-se outras terapêuticas a longo prazo. As doses empregadas são de 40 a 60mg/dia, diminuídas em 5mg por semana. Existem raros estudos que propõem pulsoterapia EV com metilprednisolona, 250mg duas vezes por dia durante três dias para essas formas rapidamente progressivas.

8. Ciclosporina Tem-se mostrado efetiva, em relatos esporádicos, mas os efeitos colaterais e o alto índice de recidivas tornam a droga terapia de exceção, a ser tentada em formas graves, irresponsivas a outros tratamentos.

Fica a Dica,
Beijos!